terça-feira, 16 de julho de 2013

Fome e outras deficiências














"Se me queriam preso...não deveriam ter me dado gaivotas como iniciais"
Não gosto de comer,
Pois a comida não cumpre sua função nutricional
Ela não me satisfaz
Não me alimenta
Tristes os que pensam que o defeito vem da comida
O defeito primeiro advém da fome
Não tenho fome de feijão, arroz, saladas...
Minhas deficiências nutricionais são outras
E muitas vezes é na noite
Quando percebo o meu jejum alimentar
Que me sinto plenamente saciado
Fecho os olhos por um segundo
Admirando a beleza de ter existido naquele momento
E durmo com a certeza de que vivi
Pelo menos um pouco

Varcelly
Trilha sonora- Olívia Hime - O impossível Carinho


Obrigado especial para Vitor Neves e Karen Carvalho que me preencheram de poesia em Recife. ^^

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Abertura

















Trilha sonora: If I Knew (Bruno Mars)


Eles estavam apenas parados
E mesmo assim já eram belos
Algumas vezes moviam-se lentamente
Passeando pela superfície densa
Talvez a procura de algo
Eu não me escondia
Torcia para que me encontrassem
E para que assim mesmo estáticos
Me movimentassem
A periferia já havia me anunciado
O corpo se aquecia aos poucos e
O rosto já prenunciava o rasgo dos sorrisos
E então finalmente eles se movem
Com tanta ou mais graça do que tinham quando parados
Eles deslizam suavemente
Derrubando qualquer hesitação existente
Chegam ao ponto mais profundo da caminhada
E em nova ascensão até a completa abertura erguem um doce sorriso em seus lábios
Abertura de um piscar de olhos
Abertura de vida...
Abertura de um portal no qual eu me perderia
Seus olhos,seu beijo,seu tempo...


domingo, 16 de junho de 2013

Antes de se descobrir coberto

















Debaixo do cobertor existe um mundo
Onde os pensamentos, ventos uivantes, estremecem o corpo inteiro

Onde o frio ametabólico
Estreita os olhos e a face
Criando as linhas nas quais são escritos os versos de desamparo, de desespero

Do alto do Monte do Travesseiro 
Nasce o rio que acalenta as feições
E aquece os pensamentos, 
cessando os calafrios como as manhãs

O calor das suas águas é tão intenso e volumoso
Que nos obriga a contorna a montanha para descansar do seu encontro
E assim recobrar as feições 
Antes de se descobrir coberto.

Varcelly




quinta-feira, 2 de maio de 2013

Refletor (Fontes alternativas )


Ilustração Victor Varcelly



















Um dia o refletor queimou
Não sei ao certo a razão,
porém a partir desse dia ele não se manteve mais aceso 

Após o período de persistência retiniana,
causado pela visão constante da luz,
conseguir ver alguns pontos no escuro

Ainda insisti por hábito
em algumas luzes queimadas no caminho até a sala
Nada funcionou
Mantive o percurso hesitante,
guiando-me pelas suaves luzes que surgiam
Algumas chamavam mais a atenção em razão da intensidade do brilho,

mas nada suficiente para desvios de rota

Regressar à sala,mesmo sem luz, parecia confortável
O tato me fornecia a segurança necessária

O final do corredor me foi denunciado por ele
acompanhado de nova queda de energia 
na qual todas as luzes sumiram
exceto a luz fraca de uma pequena lanterna deitada no chão

Sua fonte de energia não vinha da casa
e assim me guiei até o seu encontro

Com ela em punho 
e sua luz acompanhando meus olhos
reabitei minha casa, senti-me seguro

Hoje,
o escuro que um dia surgiu
é meu
e convivemos harmoniosamente em meio a isso

(Som de lanterna desligando)


sábado, 13 de abril de 2013

Tanto Mar

Ilustração Victor Varcelly



















Para que tanta água
Se já não posso navegar

Me desprendi na tentativa de me convergir,sublimar
perdendo-me no vasto do inverso

Metade de mim dança nesse único verso

Arrematando destroços espumantes de outrora

Hoje
A luz projetada nos uni em seu rascunho lançado sobre o chão
Prospecções que ainda permitem clareza
em meio a prisão trazida pela ausência do reverso de navegar












Reversos negritos (descontrução alternativa)

Tanta água
Posso navegar na tentativa de me sublimar vasto

Nesse único verso
Destroços nos unem
E ainda permitem renavegar...
(Tanto Mar)



Texto feito a partir da ilustração, e desconstrução feita a partir do texto. O app no qual foi feito o desenho é o Fifty Three. Aguardem mais desenhos e mais desconstruções.

sábado, 16 de março de 2013

Ser(teza)

Formas de leitura:
 X + x (y) = verso. Ex: Pés + Pés(ados) = Pés pesados;
X= verso 1; x + x(y) = verso 2. Ex: Pés (verso 1) Descasos (verso 2)
X + x(y) = verso 1; x= verso 2 Ex: Pesados (Verso 1) Dez (verso 2)
X= verso Ex: Pés


Pés(ados)
Dez(casos)
Só(litário)
Sou(l)

Ver(edas)
Sem(tir)
Ter(nura)
Em(tornar)
Só(rrisos)

Ser(teza)
Só(nhar)

Há(mor)
Se(reno)
Vôo(ltar)


Ps- Obrigado aos Afectos (Alexandre Américo, Vanessa Oliveira e Alexsandro Araújo) pela desconstrução.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Perdendo o lirismo

Sugestão de leitura: ouça pelo menos 30s da música 
antes de começar a ler. Leia o texto na velocidade 
que a melodia determinar, como se fosse ela quem
estivesse lendo o texto e não você. Bom proveito. ^^

Acordei cético
Não sei ao certo quando isso aconteceu
Um belo dia, simplesmente, acordei

Não havia mais versos escondidos nos pequenos atos do dia-a-dia
Tudo ficou rígido, reto, denso...
Concreto
Tudo o que ficou não havia

O que seria preciso para refragmentar o pensamento?
Qual droga endógena havia sumido?
Como é possível sentir as coisas se esmaecendo aos poucos e sul...mim...dó...
O que?

Não sei ao certo
Talvez numa idade cronológica não específica
Acabe nossa produção endógena de lirismo
Do lirismo...Não sei

Victor Varcelly

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O que se perde enquanto os olhos piscam



Arisque-se a perceber o mundo além da primeira imagem. 


Cada indívíduo em sua pluralidade é individualmente um universo de possibilidades incontáveis.


Nossos olhos leêm muito mais que apenas letras ou termos fugazes.


Não os subutilize.


                                                                                                                        


Você deve ler mais o mundo das três dimensões, percebendo que as insuficiências e limitações
são frequentemente criadas internamente, existindo apenas no seu mundo, o que ninguém vê.


Na realidade inexiste limitação impassível de revisão ou invencível.
Selecione o espaço do texto




Victor Varcelly , porque metade de nós é comum e a outra é extraordinária.Vivamos o (extra)ordinário e que se inicie a escalada para o sonho.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Reflexões de regresso

      Quais seriam as possibilidades caso nós pudéssemos saber exatamente onde estivemos em certo período de tempo, todas as sensações que tivemos, tudo ...absolutamente tudo. Foram 385 dias distantes do meu material literário, pelo menos longe de uma visão cheia de objetivos que eu tinha com ele.
        Hoje, dia 27 de outubro de 2011, exatamente 1 ano e 20 dias depois do último post desse blog, tenho em minhas mãos a experiência sugerida no primeiro parágrafo desse texto. Ao rever o layout do blog, ao ler o começo do último post e pressentir o seu final, e ao reler comentários de pesar sobre o afastamento, puder ver não só a minha imagem refletida num monitor,mas também a imagem que outras pessoas tinham de mim e do meu texto. É engraçado, depois desse interstício, ver como pedaços foram criados, espalhados e perdidos, e só agora alguns recém apanhados regressaram ao corpo original, recompondo a figura de sorriso largo e quiçá cativante. É verdade, parece Voldemort, eu sei. (agora vou me dar à liberdade de não tentar parecer "novo" a cada texto.Eu sempre queria trazer algo novo, único... e me cobrava muito isso.kkkkkkkk Acostumem-se! Não havia outra maneira de explicar isso! )
        Não sei quanto a vocês, mas tenho certeza que sou mosaico. Uma mistura descontrolada de paixão, música, dança, pensamentos... muitos pensamentos. Brinco que o maior defeito de ser criativo é a capacidade de criar até problemas. Os textos no passado surgiam, em sua maioria, dessa brincadeira, perigosa, de destoar, maximizando a realidade, transformando olhares passageiros em amores inquilinos ou transmutando a fome nutricional de uma boca...
        Sendo mosaico, é possível parecer inteiro mesmo estando aos pedaços e ser uma obra completa mesmo inacabada, afinal só o dono da obra é capaz (ou não) de contabilizar todos os pedaços ausentes, tendo ainda a possibilidade de vender a ausência como “intencional”. Alguns pedaços caíram durante o trajeto desse blog de 2009 a 2010, quando se bradou:

...o meu antigo amar está enterrado no meu livro de histórias, agora só me resta esperar uma chance de aprender uma nova definição para um querido termo antigo. (Um dia banalizei o amor )

Como deve ser o desmoronar de um sonho?
(...)
Seria como um infarto prolongado do miocárdio? talvez pelo resto da vida.
Quem sabe a implosão de todo um arquétipo de mundo, previamente romanceado.
(Escarnando sonhos )

Nessa época já possuía uma admiração grande pela música e por todo o universo que ela envolvia. Um garoto que de tão criativo chegava a ser ingênuo. Passou um bom tempo de sua vida pensando que a Globo só existia no Brasil, assim como a coca e outras coisas. Tudo era único pra ele. Outros países só existiam no papel e nessa idade papel não era lá grande coisa. Os universos que imaginava eram os relevantes. Neles cheque não era dinheiro e todos tinham nascido em natal, devido a pergunta “Qual é sua cidade natal?”. (MJ 1958 – 2009 – grifo nosso)

Tudo assim se deu e foi maravilhoso. No entanto, na manhã seguinte, ela me informou que iria viajar e permanecer fora por um final de semana inteiro. No começo, com meu ceticismo, duvidei da força das marcas deixadas em minhas costas e memória. Trocamos um último beijo e ela partiu. Juntamente com o desaparecimento do carro na primeira curva da minha rua fora meu ceticismo.
Fechei a porta e me preparei para vencer o percurso até meu quarto, alguém bateu na porta antes disso. Virei sorrindo, só podia ser ela desistindo de viajar ou voltando para pegar algo. Enganei-me! Era uma senhora vestida com cores mornas, roupas surradas, com um sorriso amarelo no rosto e detentora de um caminhar lento e cansado. Ela conferiu meu sorriso, que já havia se transformado numa interrogação, e disse: vim passar uns tempos com você, dando-me uma tapinha no rosto. Ela sorria estranha como se estivesse há muito ansiando essa visita triunfante. (Visitas inesperadas – grifo nosso)

     Outros muitos se juntaram...e hoje mais um retorna a velha casa, trazendo mais letras, sorrisos e novos pensamentos. O novo guia do blog é aquele menino que "Tudo era único pra ele".

     Por fim, sugiro cuidado ao relerem seus(meus) textos antigos... foram reveladores pra mim, principalmente quando associados a músicas pertinentes. É como abrir um capítulo inteiro da sua vida, sendo teletransportado diretamente para o dentro do seu corpo daquele mundo. Um mundo paralelo que talvez esteja a acontecer agora mesmo, não sendo apenas mera lembrança deixada num universo WWW.,afinal onde vivem os personagens que criamos e esquecemos? Vou perguntar a Elle como anda a vida dele.

        obs:como não poderia deixar de ser...os textos são noturnos...é a boemia. Abraço Noel, Cartola e todos os grandes boêmios dessas madrugadas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Exatos 385 dias depois do último post

Uma pessoa muito especial disse que eu devia fazer um blog de críticas e afins...isso me levou a revisitar meu blog que estava parado e também fechado, as publicações antigas não estavam disponíveis pra ninguém.

Foi com imenso saudosismo que ingressei novamente nesse editor de texto que agora suporta minhas novas letras...então, aproveito a deixa pra reabrir o blog, dando novas possibilidades a ele, possibilitando assuntos, opiniões e estilos mais variados.Desde já não prometo a regularidade dos post´s antigos, afinal os tempos são outros e as prioridades também,mas deixo a janela da comunicação aberta...o que já é grande coisa.

Atualmente tenho duas frentes de trabalho artístico que são o FOURUM (dança de rua) e a 24four7 (editora de vídeos), que tomaram o tempo das letras e músicas,mas quem sabe não surgi aqui uma nova oportunidade pra fortalecer essas idéias. Vou por os links aqui abaixo pra quem ainda não conhece.

24four7
http://www.youtube.com/user/24four7?feature=mhee


FOURUM
http://www.youtube.com/user/FOURUMRN


Abraço para todos e principalmente a Nina pela sugestão e a Lúcio por seu novo blog, que também me trouxe ao meu.


Quem quiser visitar o blog do lúcio sobre tecnologia. Segue o link
http://neobits.wordpress.com/

Como não poderia deixar de ser, segue aqui também a tão tradicional música do post.
Essa música é linda e o clipe também.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Caminhar


Ando pensando em passos...
Passos que vão e vem
As vezes indecisos,noutras nem tanto

Penso no porquê de tantos passos
Haveria um sentindo para tanta balburdia?
Quem sabe não seriam vários?
E teriam algo associado à falta de palavras.

Concluir depois de muito caminhar
serem tais passos propulsores de minhas palavras
as quais num descuido meu
escorreram corpo abaixo, deixando-me mudo.

Assim vários dias e meses se passaram sem um único termo
Acontecimentos e idéias iam e vinham nas mais diversas horas
As vezes indecisos,noutras nem tanto
Nada era suficiente para reerguê-las ao topo de minha cabeça
onde se escondiam as idéias fugazes

Até o dia que junto aos passos
a chuva veio relembrando-me da musicalidade da minha face
e desceu as idéias...



VARCELLY

Olá.Tudo bem com vocês?Pois é pessoal é tempo de caminhar
e felizmente o Às avessas já me deu todas as alegrias que
poderia me dar (4253 visitas, 7,878 visualizações de páginas
em aproximadamente 1 ano e meio, de 13 de abril de 2009
até 07 de outubro de 2010). Foi muito bom poder compartilhar
todos esses sentimentos fictícios ou não com vocês e ver que
minhas palavras e idéias podem mexer com outras pessoas como
mexem comigo.Agora é tempo de novas experiências ,mas em razão
de tantas coisas boas que o Às avessas me deu, não gostaria de
apenas abandoná-lo, por isso, estou avisando a todos do seu término.
Se em momento posterior houver nova escrita informo a vocês.
Mais uma vez obrigado pelas visitas e comentários.

Abraço.
Varcelly ^^

versão do clipe link

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

The samba must go on


Tropeço pelas ruas mal iluminadas
Os vultos passam e alguns sussurros ecoam
Havia pouca gente quando finalmente ,
auxiliado pela luz , consegui enxergar

Sambas, poemas e morenas
eram declamados aos quatro pés
num rastejado suave,
xingando a chuva desalmada
que enchia de estranhos o salão

No entanto, nada alterava aquela alegria
Quanto mais apinhado
mais viscerais e internas eram as batidas do surdo na morena
O surdo soava
suava
soava
soava

No ensejo das mãos enlaçadas
nos tragamos para longe dali
onde nossos surdos podiam tateantemente
nos guiar em nosso samba terno,
descambaleado e desengonçado
Perfeito à nossas travessas tortuosas

Às quatro da manhã
meu surdo emudeceu,
alegando ser teu último trem
correste para longe de mim
de volta aos braços daquele que ainda não sabe
mas já ti perdeu

Ao fundo,
ouvia-se o tamborim do mendigo latindo

“Eu queria ser
Um tipo de compositor
Capaz de cantar nosso amor
Modesto
Um tipo de amor
Que é de mendigar cafuné
Que é pobre e às vezes nem é
Honesto
Pechincha de amor
Mas que eu faço tanta questão
Que se tiver precisão
Eu furto”

Volto a ensurdecer
Afinal, já se aproximam as seis
Melancolia na alvorada
só se um dia o samba acabar


Varcelly

ps-> Aproveitando o ensejo boêmico,
convido todos para a apresentação do FOURUM,
grupo de dançar de rua do qual faço parte,
no Buraco da Catita no dia 20/10 às 20h,
junto com outras apresentações também.
Assim que tiver algum material de divulgação
mais sólido eu trago pra vocês.Abraço

ps2-> deixo aqui o link para o canal do FOURUM
no youtube,caso queiram conhecer o trabalho.link

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O poeta

"Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!"

Manuel Bandeira - Impossível Carinho






O que seria do poeta se ele fosse um homem de acertos?
Não sei quanto às outras poesias,
Mas com certeza, amorosas, só escreveria uma.
Pois é, o poeta é um alguém que vive de confundir o amor
Ou então, sejamos mais otimistas com a expectativa de vida dele,
Alguém brincado de pensar que encontrou o amor

O poeta vive uma paixão, um desejo, um olhar, um beijo...
De maneira tão intensa que por alguns segundos se sente apaixonado
É como o impulso, se a força é aplicada num curtíssimo tempo,
Tem grande magnitude

Mas o poeta também é um canto onde o sentimento demora a se expressar
Ele rumina muito bem cada informação,
Criando conexões, possibilidades
E assim, vai acumulando forças, todas deixadas pela belle de ju

Então, já em casa, às vezes dias depois, quem sabe horas
Tudo é jogado num papel, numa parede, no que estiver próximo
Pela última opção
Pode-se perceber que poeta não só escreve

Poeta é aquele corredor desvairado na avenida depois do carnaval
Poeta é o admirador irremediável da lua e do mar
Poeta é a criança com um brinquedo novo
Poeta é um amplificador
Poeta é intensidade
Poeta é um mundo em 1s...

Os poemas, no entanto,
Ficam com ela
Juntamente com a lembrança de que ninguém
Nunca a amará tanto por um momento
Quanto mais por uma vida

VARCELLY

ps-> Parabéns amor. ^^ Tudo de melhor pra você.
ps2-> eu sei que a foto é de Drummond,viu pessoal.kkkkkkkkkkkk
Tenho culpa se são os dois poetas que mais gosto?Botei logo
os dois. ^^

Clipe do vídeo, sem ser ao vivo

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Quero encher minha boca de você...

"O chão é cama para o amor urgente,
amor que não espera ir para a cama.
Sobre tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama..."

Drummond - O chão é cama - O Amor Natural 1992





Quero encher minha boca com o gosto da sua pele
para que assim possa esvaziá-la em seus ouvidos
e novamente preenche-la com suspiros

Quero encher minha boca de você
e deslizá-la por todos os recantos
deixando líquidos versos escritos em minha caminhada

Quero encher minha boca de você
e criptografar um feitiço em seu pescoço
magistralmente executado pelos sons de palavras mudas
responsáveis pelo eriçamento de cada fio de pelugem em seu e em meu corpo

Quero encher minha boca de você
e desaguar todas as sensações inquietantes de meus lábios nos seus
num diálogo verbalmente intangível

Quero encher minha boca de você
e absorvido tudo isso
...
desaguar meu corpo dentro do seu

VARCELLY

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Segundo Escuro




"Delícia de fechar os olhos,por um instante
e assim ficar sozinho,fabricando escuro...
sabendo que existe a luz"

Mario Quintana – Para viver com poesia
(capítulo Para ver com olhos de primeira vez)



Segundo escuro


Nunca me imaginei capaz de produzir algo tão belo e padronizado
Não sei ao certo quais pensamentos ou devaneios passam nas cabeças de
vocês,mas o meu escuro é sempre o mesmo

Confesso que isso me fez até duvidar de minha criatividade
sempre, por mim, muito valorizada

“Como posso eu não ter criado, no mínimo, dois tipos de escuro?
E como posso ser tão pouco criativo sendo tão bom em fazer algo?
Já que crio indubitavelmente sempre o mesmo escuro!.”

Sabe aquele suspiro profundo que dou enquanto fecho os olhos?
Não se preocupe...
Não há de ser nada sério
Só estou tentando resolver o meu segundo escuro


VARCELLY



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mercado de palavras



“Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
(...)
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
‘Trouxeste a chave?’”

(Carlos Drummond de Andrade)


Mercado de palavras

Estava debatendo outro dia minha escassez textual com uma grande poetisa. Concluir que o necessário para reaver meu estímulo de escrever seria ir a um mercado de palavras e conjuntamente com um ótimo vendedor pôr numa cesta todas as pérolas necessárias para o poema...

O mercado possuía um letreiro belo em sua fachada, como não poderia deixar de ser, sendo ele um mercado de palavras. Tudo era muito limpo e branco, apenas com algumas listras azuis que percorriam todo o recinto, e por algumas vírgulas, brindes da loja, que insistiam em cair dos cestos ao bel prazer do vento. As placas eram colocadas sobre as banquinhas, muito similares as de frutas em feiras populares, trazendo um pequeno resumo do que seria possível encontrar em cada uma delas.

As bancas eram divididas por seções, permitindo que o cliente as folheasse, digo, as conhecesse, utilizando o tempo que considerasse necessário. Cada seção tinha o seu vendedor típico. Havia a para os prosadores, para os cronistas, onde as paredes eram forradas com notícias de jornais por todos os lados, para os mais jovens com palavras multicoloridas e outras que explodiam ou eram animadas, dentre outras.

Dirigi-me ao fundo da loja, área detentora de um aroma suave, assim como, de um tom mais amarelado na ornamentação das paredes e de toda a seção, mas ainda com as listras azuis do começo. Ninguém mais, ninguém menos que um parnasiano estava a minha espera para me apresentar e me ajudar a encontrar as pérolas tão desejadas.

Fui adentrando pelos corredores de tão admirável construção e ele me explicando as subseções com inúmeras divisões... Verbos, adjetivos, por quantidade de sílabas, por tonicidade... populares, rebuscadas, antigas, modernas, separadas ou quebradas para os neologismos, sentimentais, fortes, para textos amorosos, sensuais, sexuais, formais... eu olhava detalhadamente cada banca nova, vasculhava alguns minutos, enquanto meu vendedor esperava pacientemente o fim daquela imersão.

Após algumas horas ou dias, não sei ao certo, perdido em meio à tamanha quantidade de possibilidades, decidi que melhor seria liberar meu atencioso vendedor, deixando-o a minha espera para uma visita mais acertada, quando eu soubesse ao menos sobre qual assunto desejava escrever.

Percorri todas as partes de loja em direção à entrada e só então percebi o porquê do tom amarelo da ornamentação. Ali as palavras eram analisadas com demasiado cuidado, ocasionando por muitas vezes a abstinência de usar qualquer uma delas. Era como um entendimento de que um belo poema na idéia é melhor que uma bela idéia mal escrita. Durante todo o caminhar tentei entender se era isso que estava impedindo-me de escrever, se minhas folhas estavam amarelando enquanto o frenesi das sensações ia embora...

A poetisa estava na porta quando saí de mãos vazias da loja. Contei-lhe meu sofrimento, a falta de termos em consonância com as idéias... ela sabiamente me disse “ As palavras você já comprou e não foi hoje, só lhe falta ordená-las”

Cruzei a rua em disparada atrás dos sentimentos adormecidos em meu travesseiro.


VARCELLY

Blog da Jacque, a tão falada poetisa. ^^
http://uni--versos.blogspot.com/
Divirtam-se!

PS-> Esse clipe é realmente mto bom.O Davida Choi tem
seu trabalho todo divulgado pelo youtube,inclusive,
ele que faz os clipes.Não deixem de ver.Abraço

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Despretensioso



É isso que você é
No entanto, não é essa a única tradução
As possibilidades são as mais diversas
desde um charme natural
até um lampejo de timidez

Independente da razão ou da fundamentação
sempre me submeto aos seus gracejos
de maneira inicialmente inconsciente
O seu brilho e traço ofuscam meus pensamentos,
só os recobro, muitas vezes,em casa ou tempos depois

É como uma sugestão desprendida
um sem querer querendo
plantado no momento perfeito
Sendo todo momento perfeito pra você

Você,
esse Sorriso Despretensioso
é o maior motivo de meus devaneios
das paixões devastadores
e ,como não poderia deixar de ser,
da reminiscência desse sentimento há tempos esquecido



VARCELLY



Por um sorriso - João Bosco

"Hoje eu quero te ver sorrir
Como quem
Quem descobre, enfim, a alegria
Olha o sol trazendo a manhã
Luz e cor
Pois é pra você que nasce o dia"

ps-> Hoje estava com vontade de escrever e postar algo.Então tá ai.
Um texto tão despretensioso quanto o motivo apaixonante dele.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Monogamia


Você ouve?
É a chuva cantando a costumeira,
mas sempre nova sinfonia

Os instrumentos são carros,
telhados,sorrisos,folhas e asfalto
dentre outras tantas coisas
aparentemente sem nenhuma musicalidade

Eu queria ser a nossa chuva
harmonizar e tocar cada parte do seu corpo em sincronia,
produzindo a familiar melodia
com o ânimo e furor do novo

Ver as suas vestes
apenas como mantos protetores do real instrumento
Ir deslizando-as, espantando-me com cada vislumbre de possibilidade
Terminar o espetáculo da chuva
com a partitura de tinta ainda úmida nas mãos


VARCELLY

obs-> O título original é chuva. Mas depois de colocar
a foto e a música...pensei em renomea-lo. Monogamia
é muito mais interessante.O bom do blog é isso também,
permitir que você redescubra seus textos,mesmo os
tendo escrito recentemente.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

No meio de caminho

Havia uma pedra no caminho do autor, assim como havia também no dele.

Um garoto vinha andando tranqüilamente, perdido em seus pensamentos, pelo caminho de barro perto de sua casa. Ele possuía um gosto incomum por pedras, achava-as bonitas, resistentes e intimidadoras. Sempre alguma atraia sua atenção e ele se detinha por intervalos diferentes de tempo as olhando, é lógico que quão mais interessante elas fossem mais tempo receberiam.

Abandonara uma pedra há pouco quando em sua caminhada longa sem grandes emoções, viu algo reluzindo no chão. Parecia ser realmente raro e interessante, pois ele sentou, cruzou as pernas, deixando-se ali em estado de observação por primaveras.

A pedra possuía um poder peculiar de atrair partículas, permitindo acréscimo de densidade veloz. O sol estava forte quando ele viu a pedra, por isso, recostou-se numa gruta enquanto assistia o crescimento. Nunca passou por sua cabeça as possibilidades desse ingênuo descuido.

A pedra tomara dimensões tão avantajadas, que o garoto só percebeu a prisão na qual estava metido quando já não havia mais rastro de luz. Foram incontáveis as investidas contra a, inicialmente, adorada agregadora, porém, não pareciam surtir efeito.

Cansado e machucado de tantas lutas, sentou-se de frente para a gruta, encostado na pedra, para descansar. Então, veio a idéia, não mais bater contra ela, mas apenas colocar os pés na gruta e forçar as costas contra a pedra tentando empurrá-la lentamente.E assim fez!

Abandonou a gruta satisfeito por rever o sol, assim como, várias outras pedras ainda pequenas, mas pedras. A grande, além de ter perdido o brilho, resultado da agregação ferrenha de partículas, perdeu o apóio da gruta, sua fixadora, e rolou morro abaixo.

O garoto pensou por diversas vezes em não voltar ao caminho de barro, no entanto, sempre o fazia. Outro dia, andando novamente por lá, viu nova pedra pequenina. Olhou e parou ainda de pé, analisou o melhor lugar para sentar, limpou o terreno em volta, colocou o alarme para a hora do jantar... fazer o que? Ele adora pedras!

VARCELLY

Se for do seu agrado deixe um comentário logo abaixo,basta clicar em comentário e deixar sua impressão sobre o texto, blog, até pergutas mesmo ou o que desejar.Abraço ^^

sábado, 31 de julho de 2010

Volta das férias.

Olha ai, agosto tá chegando e com ele a nova temporada
de textos do ÀS AVESSAS.Essa temporada quase foi cortada.
heheh Problemas de inspiração,mas aparentemente tudo resolvido,
pelo menos hoje já escrevi alguns textos e espero que a escassez
de palavras tenha passado.

Assim, no dia 11 de agosto estarei, muito provavelmente,
postando o primeiro texto de 2010.2. Espero mais uma vez
que vocês, meus visitantes tão festejados,voltem a ornamentar essa
página com seus comentários e opiniões ou apenas com visitas
e leituras dos textos.

Bom restinho de férias para todos.

Desde já muito grato.
Varcelly ^^