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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Tempo paralelo

Para que a pressa, se tudo que queremos é está aqui.
Para que mensurar o tempo disponível, se ele pouco importa.
Deixemos que o tempo corra
Nós não!

Nós não precisamos dele
O nosso tempo é paralelo
Ele flui ao nosso bel prazer
Reflexo direto de nossas carícias e da intensidade de nosso afeto

Sua mão entrançada em minha nuca
nossos olhos perplexos um no outro
Ou quem sabe, perdidos dentro de suas pálpebras.
O ar entrando e saindo através das narinas em conjunto com nosso desejo
As nossas peles se moldando uma à outra
Seu cabelo no meu rosto...

Isso é imensurável!

Não temos o tempo deles, nem o valor
Você e eu estamos aqui juntos
Isso é o que importa.

VARCELLY

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Ménage à trois

Um dia caminhando despreocupadamente
fui abordado
Ela numa fusão veio me envolvendo
desde o peito até os pés e a cabeça
Descia as mãos por minhas pernas,
subia voraz desejando despir-me
jogava-me contra a parede com seu corpo
suspirava ao meu ouvido
encostando os lábios na minha pele

Inebriei-me com o seu perfume,
com o modo de me aquecer de dentro para fora,
e como o mundo tornou-se mais acessível dali em diante.
Tudo se completou em nosso último suspiro conjunto

Estático por tempo incerto, eu me mantive
apenas apreciando o modo como tudo acontecera,
como era bom sentir agora a presença dela em mim

Ao tentar iniciar nova caminhada
outra moça chegou me abraçando fortemente pelas costas
Era como um sussurro apaixonado ao pé da nuca
ao mesmo tempo em que suas unhas arranhavam o meu peito
e suas pernas envolviam meu quadril
“Me leva!”

A perna dela pisou o chão junto com a minha em novo passo,
as mãos desceram do meu peito em direção as minhas mãos
Nós passamos a nos mover em conjunto até
outro suspiro avassalador e a nova fusão

Assim, as duas moças convivem dentro de mim
sem conflitos ou transtornos,
mas num eterno e ébrio amor.

Nunca vou esquecer esse primeiro encontro com a Música e com a Dança.


VARCELLY


PS-> já que essas são as duas mulheres estão a trilha de hj combina bem com elas.^^

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Intercalados


Já faz tempo que não o vejo contemplativamente
A não ser em ocasiões esporádicas
e totalmente casuais

Já faz tempo que só penso
e calo esses pensamentos
nas cordas vocais do meu ser
como num bojo de violão apático,
ignorando as investidas de seu compositor

Já faz tempo que esse violão descansa,
admirando as paisagens e os fatos,
escrevendo ou definhando melodias
paradas ou esquecidas nas prateleiras

Intercalados
seguimos juntos e separados,
criando diálogos imaginários
Até o dia do desabafo consternado
do alto de nossas moleiras de
onde versos e crenças serão entoados

"Tentei falar, mas você não soube ouvir.
Tente admitir."

VARCELLY

ps: a pergunta que não quer calar é: Quem DANADO é AMIM?!?!?! kkkkkkkkkkk
ps/2: a foto do começo do texto sou eu e ele. ^^



Clipe original, que é mais bonito. ^^

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Será

Fevereiro passou tão rápido
Que não pude falar de ti

Março começou tão drástico
Que não sei se haverá tempo

Tempo é sempre tão escasso
Ainda posso te convidar?

Ainda há espaço pro tempo?
Ou nem o tempo está mais lá?

Não sei ao certo o que vai perdurar
Sei que ainda estou de pé numa curva longínqua do nada

Nada pra onde voltará o tempo
Assim que a gente se encontrar.


VARCELLY

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Perdi

Perdi minha voz em alguma esquina distante
Perdi meu olhar em alguma curva do teu corpo
E o meu tato de tanto tatear em busca de algo

Perdido também está meu paladar
Só Deus sabe onde ele anda
Minha audição, então, nem se fala
Não ouço nada há anos

Perdi meus pertences na minha mala
Perdi a minha mala em casa
E a casa no bairro

Perdida também está minha métrica
E só Vinícius seria capaz de me ensinar sonetos
Mas nunca me ensinaria a viver a fonte deles
Eu me perderia na realidade da composição
E seriam apenas versos vazios

Perdidos não estão, no entanto, esses versos
Que mesmo sem métrica
Ou sentido
Encontram a fonte deles
E não foi um grande poeta que os ensinou isso
Mas sim, o poema vivo que és.


VARCELLY


PS: Opa, estamos finalmente de volta! ^^ Bom voltar a postar depois de tanto tempo. As férias foram maravilhosas graças a Deus e trouxeram algumas novas idéias e histórias. Espero que gostem da nova temporada do blog. Beijos e abraços.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Expressão

Já possuiu alguma vez um pensamento tão forte, tão enraizado em seu cérebro, que ele viesse a se expressar no seu corpo? Ah não,não! Nada de atos espontâneos e premeditados. Do tipo: estou feliz vou sorrir. Eu me refiro aquele sorriso que escorre do canto da sua boca enquanto você encara a boa nova pensando está com a cara mais lisa do mundo. Ou melhor, ainda mais profundo, por ser tão inesperado, você nunca nem se quer pensou ser tal pensamento passível de expressão em feições corporais. O que? Como perceber? No meu caso, perceberam pra mim. Eu morreria sem saber. Qual é o pensamento? Igualdade!

O que é Igualdade pra você?
Algo estável?
Equilíbrio?
Deus?

Igualdade para mim é simples, é simplesmente Tudo! A Terra tem a forma que tem, porque permite mais estabilidade a ela, por igualar os fatores que a influenciam. Deus nos criou sua imagem e semelhança e disse “Amarás o teu próximo, como a ti mesmo”, ah tá, vou traduzir, Igualdade! A tá, faltou traduzir a parte da imagem e semelhança, não foi? Ok! Igualdade! Deus nos criou para sermos iguais a ele e isso não impede que tenhamos devoção e amor por ele. Lógico que não seremos Deus. Mas somos filhos, parte dele, somo iguais a ele, e mais, somos definitivamente iguais entre nos mesmos.

Assustam-me pessoas pelos cantos se dizendo mensageiras de Deus e dizendo que são Mais do que qualquer um. Por que? Sua mãe o ama porque você traz o vasilhame de água pra casa e lava a louça, ou simplesmente por você ser igual a ela, parte dela? A mãe de um delinqüente totalmente desvirtuado, deixa de o amar por isso? Isso é igualdade! Isso é Deus! Por isso, um dos homens mais espirituosos e admiradores de Deus que eu conheço se diz ateu e afirma que Deus não existe, mas é detentor de uma sabedoria de igualdade gigantesca... xiiii, não contem a ele.

Ah sim, o motivo do texto, não é? Qual foi a expressão que viram. Eu tenho vários tics de dança, e como bons tics não são bem-vistos numa coreografia onde supostamente todos deveriam ter os mesmos movimentos. Limpando uma coreografia nesses dias, alertaram-me que em alguns movimentos unilaterais eu lanço o corpo primeiro para o outro lado...



VARCELLY


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

COISA DE GENTE grande

Não é de hoje que desconfio da fase adulta de nossas vidas. É um momento muito lúcido e determinado, cheio de coisas grandiosas. Ah, sabe como é, conversa que não é pra criança, tem que ser adulto pra entender.

Acho engraçado o fato de todo adolescente, principalmente, e criança , algumas, reclamarem do fato de não serem ainda adultos, que é muito chato não poderem fazer as coisas e bla bla bla. Talvez se tivessem a oportunidade de provar um pouquinho, antes da transferência irremediavel a tal fase, essa visão fosse diferente. Não, não vou me referir ao famoso clichê estúpido de “Ah aquilo era tempo bom, eu não fazia nada!” e afins. Isso é coisa de preguiçoso! Nossas atividades e deveres são subsidiários de nossos direitos e isso é fantástico, pode ser pesado às vezes, ou na maioria delas, mas é fantástico. Meu ponto é mais profundo. É o comportamento das pessoas.

É difícil você vê uma CRIANÇA sendo falsa e dissimulada. Se encontrar, pode ir atrás, foi ensinamento de algum adulto. Você não vê uma CRIANÇA fingindo que gosta do menino estranho. Ou gosta ou não. E se está sentada brincando lá a força, foi por ordem de algum adulto, algo como uma coação irresistível. Os sorrisos das CRIANÇAS são sinceros, os abraços mais ainda... não são dominadas por uma substância chamada libido... não possuem uma conduta finalista, ou maquiavélica, colocando seus objetivos acima de tudo independente dos meios para alcançá-los...

O adulto, às vezes, parece mais um adolescente prepotente e cheio de si por ter conseguido certos embasamentos monetários, legais e sociais. Cada dia que passa, eu vejo mais a frase “Postura (coisa) de gente GRANDE” como algo em sentido figurado, pois quem tem postura, que deveria ser dos grandes, são os PEQUENOS.

Ah, sabe como é,não é? Coisa pra adulto! Uma CRIANÇA nunca entenderia esse emaranhado de coisas ruins que os "grandes" teimam em fazer pelo "bem" dos outros. Se eu voltasse no tempo hoje e ouvisse "é assunto de adulto!" eu diria " Eba,tchau! Não quero desaprender como é ser GRANDE!"


VARCELLY


terça-feira, 3 de novembro de 2009

O complexo cárdio-energético

O amor é a carga máxima de uma bateria chamada desejo, que ocasiona a mudança dessa de receptora de energia para fornecedora.

Quando alguém está conhecendo várias pessoas e se relacionando com elas, qualquer energia acrescida a essa bateria é rapidamente descarregada e dificilmente o amor surgir. Cada vez que se deseja um beijo se consegue um, mesmo que seja um diferente, não a espaço pra saudade. Nesse caso é necessária uma dose descomunal de carga para chegar ao amor. No entanto, quando isso acontece há uma sobrecarga de todo o sistema distorcendo outros como visão, tato e demais sentidos, inclusive o controlador do pensamento. São horas divagando sobre possibilidades e sobre lembranças. A essa sobrecarga dá-se o nome de paixão.

A saudade nada mais é do que um redutor de dissipação do desejo e um potencializador das capacidades energéticas da fonte, sendo de grande ajuda para essa. Ela, porém, não está condicionada a vontade da fonte, estando antes aleatoriamente vinculada a como a carga é oferecida ao desejo. Sendo essa forma boa suficiente a ponto de gerar a saudade, a fonte tem um forte aliado a seu favor, podendo reduzir o período até a plenitude energética da bateria.

Se a fonte super potente que carregou o desejo em um piscar de olhos tiver boa capacidade energética, ela pode continuar alimentando o desejo, agora em doses menores, possibilitando o surgimento do amor com o passar do tempo e da sobrecarga. Sendo ela apenas uma fonte de fornecimento rápido, a sobrecarga passará e não haverá energia suficiente para manter o desejo alto, restabelecendo-se assim os níveis iniciais de energia.

Uma outra maneira de se aproximar do amor é cortar as descargas de desejo. Nesse estado existem duas possibilidades, ou a energia se estabiliza ou diante de algum estímulo ainda não alcançado vai crescendo lentamente, utilizando como fonte o anseio de que esse estímulo venha a ser ampliado.

Estou com as energias baixas no momento. No entanto, parei de descarregá-las com freqüência. A vi somente uma vez e confesso ter desejado desde aquele momento Sua companhia. Não sei o que poderia ser isso. Mas estou me guardando para cobrir todas as possibilidades quando for descobrir. Posso jamais saber o que queria de mim...vou morrer sabendo o que quero com Você.

VARCELLY


terça-feira, 4 de agosto de 2009

O destino do poema

Se poemas surgem para conquistar mulheres,
que este cumpra sua função.
Para isso, não falarei da angustia em meu peito,
nem da dor e do desejo.
Muito menos, contarei histórias de emoção

Mostrarei o vazio,
a insignificância, a vida sem juventude,
a vida sem relevância...

Os defensores dos verdadeiros poetas,
me acusaram de piegas,pobre ...
Pergunto-lhes em Drummondiano
Quem não é piegas no amor?
Podem não ser na escrita,
mas o são na vida.

Por fim, minha querida, digo:
ainda não te amei por toda a vida,
entretanto, estou a começar...


VARCELLY

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Visitas inesperadas

Sou forte e inabalável pela Saudade. Esse era meu grito de guerra há pouco tempo atrás. Dizia muito honrado de minha segurança, que desconhecia tal sentimento, pois sempre o driblava. Se alguém desaparecia ou se ausentava de minha vida, em pouco tempo, eu esquecia e continuava normalmente os dias. Ia aos mesmos lugares sem fantasmas, falava dos ausentes sem gaguejar, ou seja, tirava de letra.

No entanto, há pouco tempo a conheci pelos abraços de uma Morena. Primeiro, só a Morena possuía abraços reconfortantes e destruidores de todo o mal. Não importava se o seu mal-estar era de saúde, psicológico ou financeiro, ela lhe envolvia com tamanho carinho e suavidade que chegava a ser amnésico. O seu golpe fatal, porém, ainda estava por vir, o sorriso. Ambos, quando juntos, derrubavam qualquer marmanjo autoproclamado resistente às conseqüências duradouras das carícias de uma mulher.

Essa semana, ela me pegou nos braços e sorriu me olhando nos olhos. Logo em seguida, riu da minha cara de bobo. Era uma manhã como outro qualquer, mas as lembranças da casa ainda estão todas estampadas em minha memória. O lençol enrugado pelo nosso peso, as janelas entreabertas com as cortinas bloqueando a entrada de luz e o corpo dela pesando em cima do meu. Não sei se havia uma música ambiente ou se essa era efeito da beleza do sorriso dela. O sol raiava, todavia, eu desejava a cada lance de luz que fosse a noite mais densa e negra só para tê-la em meus braços por mais tempo.

Tudo assim se deu e foi maravilhoso. No entanto, na manhã seguinte, ela me informou que iria viajar e permanecer fora por um final de semana inteiro. No começo, com meu ceticismo, duvidei da força das marcas deixadas em minhas costas e memória. Trocamos um último beijo e ela partiu. Juntamente com o desaparecimento do carro na primeira curva da minha rua fora meu ceticismo.
Fechei a porta e me preparei para vencer o percurso até meu quarto, alguém bateu na porta antes disso. Virei sorrindo, só podia ser ela desistindo de viajar ou voltando para pegar algo. Enganei-me! Era uma senhora vestida com cores mornas, roupas surradas, com um sorriso amarelo no rosto e detentora de um caminhar lento e cansado. Ela conferiu meu sorriso, que já havia se transformado numa interrogação, e disse: vim passar uns tempos com você, dando-me uma tapinha no rosto. Ela sorria estranha como se estivesse a muito ansiando essa visita triunfante.

A senhora conhecia todos os recantos da minha casa. Isso me assustava! Como ela podia saber disso? Olhou minha rede na varanda e disse: Quase me deitei nessa rede, porém você sempre foi hostil. Fique paralisado por um momento, eu hostil com uma senhora? Isso só podia ser mentira e das muito mal contadas. Ela foi contando histórias de cada recanto e passando sem hesitar. O mais surpreendente é que não mentia sobre nenhuma, cada narrativa era a mais pura verdade. Ela ainda as contava repetindo os trejeitos da Morena, até o perigoso sorriso-abraço ela tentou copiar. Os cacoetes soavam caricaturais se comparados aos reais, mas a ausência da real dona os deixava mais fiéis.

Vimos meu sofá, a cozinha, o escritório, o quarto de hospedes e, enfim, subimos ao primeiro andar e chegamos ao meu quarto, ainda impregnado pela presença da Morena. A senhora olhou-me rindo sarcasticamente e falou: Ora, vejam só. Quase morri para entrar na sua casa e hoje entro pela porta da frente, ganhando de bandeja o quarto principal, onde muitas mulheres quiçá chegaram. Ela me empurrou, tropecei na cama e caí deitado. O perfume da Morena preencheu o ambiente quando aterrissei nos lençóis quentes e enrugados. Nesse momento, reconheci a senhora, Saudade. Encomenda enviada com os comprimentos da Morena, eram esses os escritos presentes no cartão que a senhora me entregou.

Não consegui entender como a Saudade podia ter me batido tão forte e tão inesperadamente. Ainda tive um golpe de misericórdia, dois segundos depois do desaparecimento do carro da Morena na esquina, meu celular vibrara no bolso. Numa mensagem ela informava que um senhor muito jovem, bonito e cego a havia encontrado e se juntara a ela na viagem, trazendo de brinde um outro preguiçoso e vestido de cores mornas, que tentava copiar todos os meus cacoetes e trejeitos. Sorri e dei um beijo na senhora, que agora me olhava surpresa, minhas encomendas também haviam chegado.


VARCELLY





http://www.youtube.com/watch?v=hSR6UP9866c ( O clipe da música)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Relatos de Mi

Era uma noite agradável, a brisa corria e tornava todo e qualquer ambiente mais aconchegante, eu havia me arrumado toda para ele, na verdade, seria o primeiro encontro. Tudo parecia perfeito. Eu iria o esperar numa sala pequena e climatizada bem próxima a minha casa, algo como uma recepção. Antes de sair mais uma encarada demorada no espelho para os últimos arranjos, verifiquei se todas as linhas estavam no lugar, enquanto ressoava alegria. Só então, dirigi-me ao local marcado.

O caminho não foi longo, pois durante o trajeto vim relembrando canções, sambas antigos e modinhas, todas aparentemente oriundas das vibrações do meu espírito feliz, e quando menos esperava cheguei. Tudo era confortável, organizado, até climatizado era. A brisa da noite serena ficou do lado de fora, mas confiei que o encontro a traria de volta. Confiança essa abalada pela presença de outros tantas meninas na mesma sala. Elas pareciam tão arrumadas quanto eu, algumas mais magras e alvinhas e outras assim como eu loiras. Foi horrível!

Senti-me usada. Que homem poderia ter uma atitude desse tipo? Iludir um grupo de garotas mandando-as esperá-lo num mesmo recinto e ainda permitir que se vissem. Em poucos segundos, todas estávamos revoltadas. Eu tentei apaziguar a situação dizendo que o deixaríamos na mão em plena roda de samba, ou seja, partiríamos no auge do seu melhor choro. Todas aceitaram a idéia e eu já estava tranqüila quando uma nova onda de ira me possuiu, minha irmã adentrou o recinto.

Michele era muito mais nova e bonita do que eu, assim como a maioria das garotas ali, mas era especial. Detentora de um timbre de voz maravilhoso que conquistava todos até mesmo quando conversava. Eu quase desmaio ao vê-la. As meninas me ajudaram em grupo, já que a diferença de peso entre nos era relevante, e eu me pus de pé. Michele correu em minha direção para ajudar-me também e eu lhe contei o acontecido. Ela não parecia acreditar no que ouvia e sem esforço, meu e das outras meninas, juntou-se a nós.

A porta então se abriu e ele entrou. Sapatos brancos, terno aberto de linho branco, camisa rosa suave e um chapéu levemente caído sobre o rosto. Todas ficaram tensas até que ele vestiu o sorriso. Foi como uma amnésia instantânea para tudo que tínhamos passado. Desde a humilhação até o encontro grupal, toda ira escorreu pela ponta do arco do sorriso dele. Ele chamou uma a uma de nós para fora da sala, alisou o corpo de todas, demorando as mãos em cada recanto, nos fazendo esticar e esticar a seu bel prazer, até que ficássemos presas por suas carícias. E assim, ficaram as revolucionárias deitadas lado a lado e presas pelo carinho das mãos dele. Acho que ele sabia da relação de parentesco entre eu e Michele, pois a colocou o mais longe possível de mim.

Depois de se aproveitar de cada uma de nós, ele nos levou de volta à brisa noturna e nos apresentou orgulhoso aos amigos na roda de samba. Então, recomeçaram as humilhações. Ele nos tocava ao mesmo tempo, empurrando duas ou três de nós para uma mesma casa e lá nos acariciava simultaneamente, depois nos tocava todas ao mesmo tempo, mas, o fazia com tal maestria que não nos exaltávamos mais e aproveitávamos à brincadeira. Chegou ainda a oferecer nossos serviços a diversos amigos. Não tínhamos pudor algum a essa altura. Minha mãe me avisara para tomar cuidado com malandros, eles são tão agradáveis que seus defeitos se tornam imperceptíveis. Ficávamos todas nas mãos dele e adorávamos isso. A princípio, unidas pela fascinação da presença dele, depois pelo ódio e agora pelo amor. Ele parecia saber até onde cada uma de nós ia e nos coordenava muito bem, tirando proveito de tudo e, por diversas vezes, deixando-se aparentar subjugado à nossa vontade.

Eu e minha irmã estamos bem. Inclusive, já estivemos juntas com ele várias noites e foi maravilhoso. Sabe como é não é? Vida de corda de violão é difícil.


"minha viola vai pra o fundo do baú.
Não haverá mais ilusão
Quero esquecer e ela não deixa
alguém que só me fez ingratidão"


Ps: Hauahuah Posso pedir um favor? Lê de novo para perceber o amor do rapaz por seu violão.
Ps: Nesse link estão algumas explicações para o texto. São basicamente sobre a estrutura do violão. Os trechos interessantes são as partes do violão e a afinação básica, que explica o caso das irmãs.


VARCELLY



sexta-feira, 12 de junho de 2009

Meu caso de amor

"Te adoro em tudo.Quero mais que tudo te amar sem limites viver uma grande história"

Você entrou cheirosa como de costume, já começava o jogo de subentendidos. A olhei demoradamente antes de me mover. Confesso, estava completamente estagiado com tamanha beleza, e o aroma oriundo de você me deixava ébrio desajustando meus pensamentos. Diante de tal espetáculo feminino as possibilidades eram imensas e você parecia propensa a todos meus pensamentos por mais maléficos que pudessem parecer.

E sim! Eram muitos pensamentos! Tantos que não consegui escolher um. No momento em que um aparentava está se demorando mais em minha mente, percebia que na verdade eram quatro se sobrepondo ou então que outro chegava abruptamente destruindo ou afastando o anterior.

Meus olhos ressacados, a princípio, foram ofuscados por tua presença, escondi-me atrás das mãos, o que também pode ter sido um pouco, sinal de insegurança ou de surpresa com a sua presença, uma vez que há esperava linda, mas não tanto. Tentei ao mesmo tempo em que minha vista se acomodava a você pensar firmemente em algum dos muitos planos que tinha para nós. Lembra aquela praia que fui ano passado e comentei com você? Ela com nossa presença ficaria muito mais bonita com certeza. Ver toda aquela paisagem em cima de uma pedra, admirando o saudoso Costão do Santinho. Ou então, quão romântico teria sido ver os Andes em sua companhia ali logo atrás de mim. Podíamos refazer algum desses programas juntos, não?

Sei como é sua natureza e até tento compreende-la bem. Entendo a sua impossibilidade de ser só minha. E que eu sou o culpado de está completamente apaixonado por você. Mas em último caso poderíamos marcar de nos encontrarmos lá, o que acha? Não precisa viajar comigo. Pode ir sozinha fazendo o seu percurso do jeito que quiser, visitando todos os homens e pessoas que deseja e depois me encontrar em plena Rua Florida, por exemplo. Ou quem sabe ali mesmo em cima das falésias, mirantes da Praia do Amor. Sugestivo o nome, não? Inclusive era por isso que pensei em encontrá-la na Praia do Amor nesse feriado. Queria acordar bem cedo, naquela hora que está mais bonita, mais cheirosa e tranqüila para sermos só eu e você e poder me perder nesse sentimento por aqueles 30 minutos no máximo. Ah, Alvorada você ainda me mata de ciúmes e de amor.

"E a tua história eu não sei,mas me diga só o que for bom"


VARCELLY

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Palavras, apenas palavras

Ultimamente tenho pensado bastante sobre palavras. O meu penúltimo post (O Processo Poético) mostra bem isso. Como vejo as palavras impregnadas em mim. Só que hoje discutindo sobre o texto “A verdadeira poesia” com uma amiga, veio-me um outro pensamento, eu sou palavra. E digo mais, levem isso ao extremo.

Imagine você sem nenhuma palavra. O que vê?Opa, não pode responder. É sem palavras!Lógico que toda essa argumentação é baseada no que um indivíduo vem a ser para o outro.

Em suma, para mim, nada mais somos do que um texto ambulante e sujeito a modificações a todo momento. Como se fossemos montados de lego e os encontrões com outros seres ora nos agregassem peças ora nos tirassem peças. Ou então, como se fossemos escritos com carvão e os encontros criassem novos traços e logo novas letras alterando todo o texto. Depois de pensar isso, confesso que me senti bem.

Gosto de ser um texto. Imaginar meu olhar como sendo versos que flutuam em direção a ti e dizem todo um universo de milênios, impossível de ser descrito numa vida inteira. Nossos atos são muitas vezes textos escritos impossíveis de escrever.

Gosto de ser um texto muitas vezes escrito em braile. Um mistério aos olhos a primeira vista e um banquete ao tato, algo como uma antologia poética de Drummond em mãos ou a cabeceira da cama.

Gosto de ser aquele sussurro ao pé do ouvido brincando com os teus cabelos, como a brisa faz ao passar na varanda, onde estás deitada em tua rede. Poder perceber a maneira leve de transpassar os teus cabelos, demorando-me em cada variação angular da curva do seu pescoço. Descer por dentro da blusa e vir na direção oposta pela rede para balançar a saia, rapidamente amparada por tuas mãos, controladoras do meu impulso.

Gosto de ser o conto interrompido por um infarto do escrito, responsável pela morte curiosa de milhares de leitores. Aquele texto julgado insosso pela capa e que termina por mostrar-te quem é o verdadeiro insosso.

Por fim gosto de ser o texto inacabado que continua sendo escrito por ti,quando amassamos nossos calhamaços e criamos uma nova escrita, uma nova palavra, uma.


VARCELLY

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O processo poético

Tenho termos encravados em meu rosto
Outros escritos em minha pele
Alguns pairando na minha frente como uma espécie de aura
Eles são os escritores

Não pego papel e lápis
e escrevo poesias e textos com palavras oriundas de meus pensamentos
Isso é poesia comercial.
Algum bom manipulador do português querendo ganhar alguns trocados
com seu tecnicismo e racionalismo

Pego o papel e coragem e os esfrego em mim
imprimindo cada uma das letras aqui presentes
Muitas vezes o processo é traumático e termino repleto de escaras

A princípio o papel recebe os termos da aura
ao adentrar a esfera minha detentora de tantos outros universos
Depois, de acordo com o tema pré-escrito pela aura escorre por regiões da pele

Se o texto é sobre ti ,o musa ainda invisível,
a folha flutua em volta de meu pescoço,subindo pelos meus cabelos,
passando sorrateiramente pelo canto da minha boca até me desconstruir
com um beijo inviolável e adentrar meus pensamentos

Vê é o processo inverso.A poesia me consome o corpo,o desejo,os movimentos,
os ares,os males e por fim chega aos pensamentos

É uma dança mágica que me deixa mais próximo de ti
Mesmo sabendo que não sabes ao certo quem sou
E nem eu quem és

Em nosso último encontro...
Bebemos vinho
Descansavas à cabeça em meu peito
enquanto eu trançava e dançava meus dedos em teus cabelos
A tua calma era oriunda do conforto e calor do meu corpo
e esses oriundos da tua presença


VARCELLY

ps:agradecer a Jota por ter guardado o meu texto.
Com a formatação do pc o teria perdido.Obrigado Jota.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A verdadeira poesia

A verdadeira poesia
Não está nos calhamaços de folhas escritas
Nem num mundo complexo de palavras emaranhadas
A verdadeira poesia
É feita de atos
Sendo assim,
És poeta
Me deixa ser tua poesia...


VARCELLY

terça-feira, 28 de abril de 2009

Samba

Quando canto samba
a alegria me escorre pelo sorriso
o amor me adentra a alma
o corpo passa a vibrar com a batucada

E se canto a tristeza
tristeza da cuíca que sangra ao chorar
choro com um sorriso de quem sabe
que a dor faz parte do amor


Tortura que se ameniza e se extingue
se no verso seguinte
outro sorriso me consome mais que a dor


VARCELLY

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O poema

É vivo
Todo ele tem uma história
Infelizmente, alguns morrem sem completá-la

Primeiramente, ele nasce como a chegada do auto-socorro
Dem, dem, dem
Numa conversa intermediada pela tinta
Tu contas ao teu interessado amigo
Todo um universo que te corrói
Almejando arrancar esse furor do peito

Em seguida, tem-se o tempo de amadurecimento
Um erro nesse instante pode ser fatal
É necessário aguardar a recíproca chegar
Enquanto isso, o pedido permanece em dormência
Aguardando as chuvas geradoras da primavera

Todo poema em seu âmago
Guarda um pedido
Pedido de saciar um desejo
Desejo de um abraço...de vingança
Ou do amor daquele asfixiante olhar

Hoje?!
É dia de luto
Um poema morreu


VARCELLY

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Um dia banalizei o amor

Acordei no meio de uma semana e percebi que havia passado a nomear diversas pessoas como “amor”.Muitas vezes tinha usado outras palavras para me referir a mulheres ou amigas como “linda”,”paixão” e etc.Entretanto,não aconteceu com nenhum desses termos o que aconteceu com amor.

A primeira vista achei que meu conceito de amor havia se expandido e agora abrangia grande parcela de minha vida.Considerei que tinha descoberto outra forma de amor,um que era muito menos “escravizante”,e aqui não me entenda mal.Porém,estava enganado em achar que isso era uma conclusão final.

O que realmente ocorreu foi que desconstruir a minha concepção tão forte e bela de amor.Não o fiz por querer...apenas aconteceu.Esse conceito esfacelado atualmente era a base de todo um ser amável,perdoe a aparente redundância,mas não há outras palavras para descrever.Ela mantinha viva minha chama das paixões,que me destronavam a razão e me transformavam num peito.

Hoje,não amo ninguém de forma “intensa” ,assim direi,não pela falta de pessoas interessante,pois essas existem,mas apenas pelo fato de desconhecer esse sentimento.O amor não passa de um termo agradável para nomear minha amigas e que pode se tornar levemante engraçado quando se dá certa relevância ao R.E esse definitivamente não é seu sentido mais devastador e estimulante.

Ou seja,o meu antigo amar está enterrado no meu livro de histórias,agora só me resta esperar uma chance de aprender uma nova definição para um querido termo antigo.


VARCELLY