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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Medo

Estou em cima da montanha, açoitado por ventos fortes e frios. O ponto onde me mantenho é frágil, as rachaduras presentes por todos os lados parecem tentar me avisar o quão perigosa pode vir a ser minha permanência nessa local. Contrariando todos os avisos naturais, instintivos e de terceiros, permaneço.

Isso me assusta! Não tenho tanto medo de que o barranco venha a cair juntamente comigo! Tenho medo da minha postura em sabendo dessa iminente possibilidade. O fruto da árvore, encontrada na ponta do barranco, é desconhecido e o seu sabor é uma incógnita, assim como sua textura. A ponta do barranco é tão instável a ponto de oscilar com o vento, permitindo a árvore se esquivar de minhas investidas.

O fruto tem pele lisa e brilhosa, transparecendo saúde. A sua forma é repleta de irregularidades naturais, ampliando ainda mais sua beleza, uma vez que o tornam único. A maneira como se balança ao bel prazer do vento mais parece uma obra de ballet, repleta de giros e suavidade. Não existem folhas em volta dele, como se a árvore o quisesse destacar, impedindo qualquer outra beleza, mesmo distante, de ofuscá-lo.

Agora me parece ser um bom momento, a brisa havia parado quando pensei nisso. Estava a exatos dois passos do galho mantenedor. Só era possível avançar mais um passo, pois o segundo, já o tinha testado, abalava seriamente a estrutura do rochedo. Duas respirações profundas e um impulso suficiente apenas para permitir um alongamento máximo do corpo, estico o braço, por entre meus dedos posso ver a forma do fruto encaixando perfeitamente em minha mão. O vento volta e o balança.

Não tenho mais como voltar. Estou com os dois pés juntos e o corpo totalmente projetado a frente. A idéia de como sairia dali depois de conseguir o feito fora ignorada. A dúvida, se um novo passo em socorro causaria o desastre tão evitado ou se o choque do meu corpo contra o chão é que o produziria, cresce. Caiu mais um pouco. As possibilidades são inúmeras e escassas, pois um vídeo autobiográfico se inicia no fundo dos meus olhos. O medo me consome de todas as formas possíveis, até minhas células tremem repudiando o abismo. Os ecos se amplificam em meus ouvidos “a fruta estava distante demais. Você nem sabia ao certo se ela era saborosa. No entanto, tinha total conhecimento da instabilidade do rochedo. Não foi por falta de aviso que está nessa situação.” Parte do rochedo se descola e caí enquanto estou indo de encontro ao solo.

Coloco minhas mãos no rochedo, seja o que tiver de ser, penso. Ouço um estrondo causado por um deslocamento de terra relevante. Minha visão escurece e apago de medo.


VARCELLY


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Beijo de saudade

O ar trás consigo
o aroma holístico do corpo teu
Vejo, ao longe, tua sombra
Delirante, ergo-me nas paredes

Nossos mundos se chocam
Induzida pela demora do evento,
a seca tomara meu olhar
e uma lagrima indecisa,
entre a necessidade e a alegria,
deixou-se correr

Estás esguia,
sustentada por finos traços de meus desejos
As curvas delineadas por
algodões e fibras impiedosos,
que ignoram toda a minha inveja
em te cobrir tão proximamente

O teu tronco alisado por leves linhas,
que me permitem ser tua pele
em momentos de vento austero
Tua boca, maior enfoque de meus anseios,
contorcera um sorriso de efeito arrebatador em meu peito

Toque pele choque febre
Hesitação tremor vento laço
Peso força angustia cabelo
Quatro três dois
colapso

Fôôôôôôôôôôôlego


VARCELLY


PS: Gostaria de convidar a todos pra se possível irem prestigiar o grupo de dança de rua BR, do qual faço parte, no evento Charivari esse sábado,início às 18e30. Ainda não sabemos de que horas vamos nos apresentar,mas vão ter outras coisas muito legais por lá,então cheguem cedo e aproveitem e nos vejam com certeza. Ele será realizado no Museu Câmara Cascudo. Qualquer informação olhar google.kkkkkkkkkkkk Abraço

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Charme

Charme é uma boa palavra para defini-la
Desconheço ao certo por qual razão o seu sorriso
em sociedade com o seu olhar me petrificam
Faz tempo que não vejo alguém com essa combinação
tão admirada por mim há tempos atrás.

Nossas peles parecem déjàvus
Desde a primeira vez que nos tocamos,
minhas mãos apenas em seus ombros,
senti como se a tivesse tocado por inteira

O que falar do seu pescoço então...
O admiro no comprimento
na cor
na tensão da pele
no cheiro que mal tive oportunidade de sentir
em como acomoda meu beijo,
mesmo tendo sido poucos e muito mal dados

Até o seu NÃO é agradável
incentivador
Diz ser minha a cara de sem-vergonha,
mas na verdade é dela e
adoro isso.

Como ela parece premeditar cada passo meu
Como eu pareço tentar adivinhar o limite entre a ousadia e a libertinagem
Como olhares comuns tornaram-se cúmplices
e abraços de cumprimento gritos por uma entrega...

Quem sabe no próximo texto...eu deixe de ser um vício a mais.

VARCELLY


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

“I gotta feeling that tonight's gonna be a good night”


Ansiedade crescente! A noite parecia não chegar. A roupa já estava em cima da casa separada desde 11h da manhã, o perfume, o melhor que possui, levemente destacado dos outros e o banho estendido planejado passo a passo.

Sai do trabalho correndo com um sorriso que mal cabe no rosto e passa direto para o cabeleireiro. Hoje a noite pede uma cara nova ou uma máscara nova, ele pensa indeciso. Mas se for uma máscara está a vestindo desde quando acordou.

O mp3 insiste em tocar a seleção das melhores músicas dançantes. Ele meio que corre ou dança na rua. O corpo parece fora de controle. Engraçado,é como se o mundo não importasse mais. O que vai acontecer depois de amanhã? Qual é o próximo dia da semana? Compromisso cedo no outro dia? Que misso? Nada importa!

Finalmente ele chega em casa. Corre direto para o quarto, mal cumprimenta a família. Tanto que a mãe só consegue lhe avisar que seu amigo ligou quando já está no meio do banho com o som nas alturas. “TÁ BOM MÃE!”. O som quase não permite a comunicação. A roupa que o esperara o dia inteiro cai como uma luva, aparentemente ela também estava ansiosa. O melhor perfume nunca foi mais cheiroso.

A buzina soa na rua. Da janela ele avista todos os amigos dentro do carro tão animados quanto. Desce correndo e mal ouvi o boa noite da mãe. O som do carro é muito alto, no entanto, os cumprimentos conseguem ser mais devido à animação. Um, dois, três, quatro quarteirões e agora não há mais errada chegou à grande hora.

Luzes, muita gente bem vestida e a sensação maravilhosa de poder se tornar alguém especial para uma pessoa completamente desconhecida e, ao mesmo tempo, de poder sair tão anônimo quanto chegou. A música intensa lhe tremia a roupa. Entrou...

...ao contrário do esperado o outro dia nasceu. Ele caminha junto aos amigos lento. As pernas estão exaustas e mal conseguem carregá-lo. O seu perfume se perdeu no meio de tantos outros perfumes e odores. A roupa outrora bem engomada se encontra amassada em todos os locais possíveis e o sorriso da manhã anterior está lá maior ainda. É como se uma batalha tivesse sido vencida da melhor maneira possível. Ele admira o nascer do sol, deixa os amigos irem um pouco mais a frente,olha-os por um segundo e num sussurro quase inaudível, mas completamente sincero diz: amigos, vou sentir muita falta de vocês!


ps--> O cara ter amigos inteligentes é uma felicidade.hehe todos matam o cara de orgulho passando em concursos fora ou indo fazer especializações e mestrados ou coisas do tipo fora. Mas também é um pouco complicado.^^ Que sejam felizes todos! A nossa amizade não vai morrer nem fraquejar por causa disso! Styghad´s!


VARCELLY


terça-feira, 4 de agosto de 2009

O destino do poema

Se poemas surgem para conquistar mulheres,
que este cumpra sua função.
Para isso, não falarei da angustia em meu peito,
nem da dor e do desejo.
Muito menos, contarei histórias de emoção

Mostrarei o vazio,
a insignificância, a vida sem juventude,
a vida sem relevância...

Os defensores dos verdadeiros poetas,
me acusaram de piegas,pobre ...
Pergunto-lhes em Drummondiano
Quem não é piegas no amor?
Podem não ser na escrita,
mas o são na vida.

Por fim, minha querida, digo:
ainda não te amei por toda a vida,
entretanto, estou a começar...


VARCELLY

terça-feira, 28 de julho de 2009

Taco

Taco, espelhos, paredes, barras de ferros envolta do Salão, teto, todos estavam ali presenciando o encontro. Passos no corredor, alguém sobe a escada. Do lado oposto a porta de entrada havia outras três de vidro que davam acesso ao sobrado. Esse feito também de madeiras e com grades sutilmente desenhadas, repletas de nuançais e floreios. Era no sobrado que ela estava quando percebeu a presença dele. A brisa corria leve, movendo os cabelos longos e cacheados da senhorita, que no seu vestido longo e sobre seu fino salto olhava para a porta onde agora sorria um homem.

Ele não havia ingerido se quer uma gota de álcool, no entanto, a beleza da senhorita o tinha deslocado da sua sobriedade e via agora três dela, uma para cada porta. Assim que abandonou o concreto rígido da escada e acomodou a sola de seus sapatos no taco, com um som tradicional desse gesto, iniciou-se a música. Trouxe o outro pé para dentro da atmosfera do Salão, ajeitou o terno, encaixando-o melhor no corpo, e retirou o chapéu, que inicialmente lhe acobertava as feições.

Elas riam dessa ritual preparatório e adoravam poder analisá-lo como a um filme, desde a entrada na sala até a retirada do chapéu. Ele fazia tudo seguindo o ritmo suave da música, como se tivesse passado a vida inteira ouvindo-a. A música parecia tê-lo obrigado a desistir de caminhar até as moças, deslizava ora para frente ora para trás e seus sapatos pararam de produzir o típico som do encontro com o taco como fora na entrada. Movia pés, pernas, quadril e tronco em movimentos simples, mas detentores de uma graça aterradora que comovera as senhoritas.

Ele apenas se movia na direção do final do Salão admirando as imagens de lá emitidas. Não pensou em impressionar ou conquistar as moças com seus movimentos, porém, apreciava os sorrisos que causavam. E assim, foi vencendo a distância que o separava do sobrado e tendo que se apressar para escolher uma das três donzelas para acompanhá-lo na próxima dança. Olhou indeciso para as três portas e decidiu entrar onde seus passos o levassem. Fechou os olhos e dançou o resto da música. Após alguns giros já não tinha mais consciência da direção que se deslocava.

Silêncio. A música acabou. Ele abriu os olhos e vira as três portas estampando a realidade, só existia uma moça em sua frente. Adentrou o sobrado, olhou-a demoradamente, como se repetisse o tempo de observação que ela teve desde que ele entrou no Salão. Sua beleza era impressionante, era como os passos dele, simples, mas sublime. Ela parecia adorar aquela situação, não se incomodava de ficar parada posando para um olhar tão entusiasmado como aquele.

Não dissera uma palavra, estendeu a mão e ela aceitou o convite. Entraram no Salão ao som do taco sob seus pés. Mãos unidas. O braço dele a envolvia pela cintura e o dela pousara-lhe sobre os ombros. Eles se encaravam profundamente. A música já começava, todavia, a movimentação não. Eles preferiram sentir o prazer da presença do corpo um do outro. Dançavam parados! O cheiro dela, a textura do vestido aquecido pelo corpo, as pernas encostadas e lábios ansiando o fim da dança com uma respiração ofegante. Ela sentia os ombros e as costas dele com o braço, a textura da pele da mão dele, a firmeza com que ele a segurava pela cintura. Ela também não queria se mover.



VARCELLY


quinta-feira, 23 de julho de 2009

Visitas inesperadas

Sou forte e inabalável pela Saudade. Esse era meu grito de guerra há pouco tempo atrás. Dizia muito honrado de minha segurança, que desconhecia tal sentimento, pois sempre o driblava. Se alguém desaparecia ou se ausentava de minha vida, em pouco tempo, eu esquecia e continuava normalmente os dias. Ia aos mesmos lugares sem fantasmas, falava dos ausentes sem gaguejar, ou seja, tirava de letra.

No entanto, há pouco tempo a conheci pelos abraços de uma Morena. Primeiro, só a Morena possuía abraços reconfortantes e destruidores de todo o mal. Não importava se o seu mal-estar era de saúde, psicológico ou financeiro, ela lhe envolvia com tamanho carinho e suavidade que chegava a ser amnésico. O seu golpe fatal, porém, ainda estava por vir, o sorriso. Ambos, quando juntos, derrubavam qualquer marmanjo autoproclamado resistente às conseqüências duradouras das carícias de uma mulher.

Essa semana, ela me pegou nos braços e sorriu me olhando nos olhos. Logo em seguida, riu da minha cara de bobo. Era uma manhã como outro qualquer, mas as lembranças da casa ainda estão todas estampadas em minha memória. O lençol enrugado pelo nosso peso, as janelas entreabertas com as cortinas bloqueando a entrada de luz e o corpo dela pesando em cima do meu. Não sei se havia uma música ambiente ou se essa era efeito da beleza do sorriso dela. O sol raiava, todavia, eu desejava a cada lance de luz que fosse a noite mais densa e negra só para tê-la em meus braços por mais tempo.

Tudo assim se deu e foi maravilhoso. No entanto, na manhã seguinte, ela me informou que iria viajar e permanecer fora por um final de semana inteiro. No começo, com meu ceticismo, duvidei da força das marcas deixadas em minhas costas e memória. Trocamos um último beijo e ela partiu. Juntamente com o desaparecimento do carro na primeira curva da minha rua fora meu ceticismo.
Fechei a porta e me preparei para vencer o percurso até meu quarto, alguém bateu na porta antes disso. Virei sorrindo, só podia ser ela desistindo de viajar ou voltando para pegar algo. Enganei-me! Era uma senhora vestida com cores mornas, roupas surradas, com um sorriso amarelo no rosto e detentora de um caminhar lento e cansado. Ela conferiu meu sorriso, que já havia se transformado numa interrogação, e disse: vim passar uns tempos com você, dando-me uma tapinha no rosto. Ela sorria estranha como se estivesse a muito ansiando essa visita triunfante.

A senhora conhecia todos os recantos da minha casa. Isso me assustava! Como ela podia saber disso? Olhou minha rede na varanda e disse: Quase me deitei nessa rede, porém você sempre foi hostil. Fique paralisado por um momento, eu hostil com uma senhora? Isso só podia ser mentira e das muito mal contadas. Ela foi contando histórias de cada recanto e passando sem hesitar. O mais surpreendente é que não mentia sobre nenhuma, cada narrativa era a mais pura verdade. Ela ainda as contava repetindo os trejeitos da Morena, até o perigoso sorriso-abraço ela tentou copiar. Os cacoetes soavam caricaturais se comparados aos reais, mas a ausência da real dona os deixava mais fiéis.

Vimos meu sofá, a cozinha, o escritório, o quarto de hospedes e, enfim, subimos ao primeiro andar e chegamos ao meu quarto, ainda impregnado pela presença da Morena. A senhora olhou-me rindo sarcasticamente e falou: Ora, vejam só. Quase morri para entrar na sua casa e hoje entro pela porta da frente, ganhando de bandeja o quarto principal, onde muitas mulheres quiçá chegaram. Ela me empurrou, tropecei na cama e caí deitado. O perfume da Morena preencheu o ambiente quando aterrissei nos lençóis quentes e enrugados. Nesse momento, reconheci a senhora, Saudade. Encomenda enviada com os comprimentos da Morena, eram esses os escritos presentes no cartão que a senhora me entregou.

Não consegui entender como a Saudade podia ter me batido tão forte e tão inesperadamente. Ainda tive um golpe de misericórdia, dois segundos depois do desaparecimento do carro da Morena na esquina, meu celular vibrara no bolso. Numa mensagem ela informava que um senhor muito jovem, bonito e cego a havia encontrado e se juntara a ela na viagem, trazendo de brinde um outro preguiçoso e vestido de cores mornas, que tentava copiar todos os meus cacoetes e trejeitos. Sorri e dei um beijo na senhora, que agora me olhava surpresa, minhas encomendas também haviam chegado.


VARCELLY





http://www.youtube.com/watch?v=hSR6UP9866c ( O clipe da música)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Porta-retrato

Tenho na cômoda um porta-retrato a um bom tempo, totalmente, vazio e branco. Muitas fotos se propuseram a preenchê-lo, mas nenhuma alcançou tal intento. Não é que seja difícil entrar. No entanto, só há, inicialmente, um tamanho de foto cabível. Qual seria? O 3x4! Isso é um problema para algumas pessoas desejosas por pôsteres em toda a casa sem ao menos terem uma 3x4.

É um plano de carreira. A princípio, conhecer a pessoa, depois, possuir convívio capaz de gerar lembranças suficientes para o porta-retrato. Afinal, qual é a graça dele? A graça não é a foto, como muitos inexperientes pensam, e sim o mundo ou universo por trás dele. Os cacoetes que você sabia salteados, a textura da pele, o sorriso, o perfume, as palavras, os beijos, os aromas e outros. Então, não pense maldades ao ler que se faz necessária uma gama de lembranças suficientes para mandar a foto, mesmo a 3x4.

Finalizada essa etapa você tem direito a sua 3x4. Calma! Eu sei que os porta-retratos geralmente são 10x15. Como atingir a 10x15? Mantendo o trabalho criativo de memórias e bons momentos. Dessa forma, cada vez que eu precisar menos da porta-retrato para lembrar você maior será sua foto. E bingo, quando menos esperar, terá fotos de tamanho natural por toda a casa.

Qual seria a razão lógica disso? Quando as lembranças são passageiras e ainda pouco intensas é como se fossem um vídeo de baixa resolução, você até gosta e assisti, mas pouco tempo depois cansa. Elas têm dificuldade de manter sua atenção por um intervalo de tempo relevante. Com a evolução das experiências, o filme adquire uma resolução cada vez melhor, e desviar a atenção dele é que se torna difícil.

Qual é o último estágio? Ele é além das fotos pôsteres. Essas não são nada mais do que o fim do período apaixonado. Depois elas são deixadas de lado, por uma realidade totalmente envolvente. É um mundo 3D! Você é maior do que os pôsteres, maior do que os outdoors. Sua presença é tão forte que todos os objetos que anteriormente faziam menção a sua pessoa são desnecessários. Seu perfume se sobrepõe a todos os outros, sinto sua presença ao entrar no prédio estando no nono andar, reconheço sua voz nos trotes que tenta passar por mais que a tente disfarçar e o tempo parece adquirir humor variável com sua presença. Quanto está por perto ele corre desgovernado e dias somem em um piscar de olhos, mas se você se afasta ele fica moroso e em algumas vezes parece até retroceder.

Então, qual é a função de ter foto no porta-retrato? Rapaz, eu sinceramente não sei. Por que as pessoas se importam com isso se a presença de lembranças, realmente boas e importantes, torna o retrato desnecessário. Meu porta-retrato não está vazio por ausência de mulheres interessantes, mas porque existem apenas mulheres especiais. Essas que incluem desde amigas fantásticas a beijos deliciosos e bocas morenas e macias. Uma delas ficou até de me mandar uma encomenda desde que viajou, engraçado parece que já faz dias, no entanto, o relógio teima em mostrar que só foram minutos. Opa, alguém bateu na porta, só pode ser a Morena.


VARCELLY


quinta-feira, 16 de julho de 2009

Rewind

O lençol está no chão junto com as roupas
Respiramos ofegantes deitados lado a lado
Você rola da cama para o meu corpo
Minhas mãos abandonam a cama, encontram seu corpo
e das suas costas descem suavemente até o seu quadril,
onde se alocam firmemente
Suas mãos liberam o lençol,
a pressão entre nos é aliviada

Gritos.
Nossos gritos ecoam na casa vazia
Enquanto os corpos chocam-se intermitentemente,
os suspiros preenchem por completo nossas boca.
Nos beijamos

O lençol se agarra à ponta do meu pé
Rolamos para o meio da cama
e ele nos acompanha abandonando o chão

Você está por baixo
colamos nossos corpos e puxo seus cabelos
Minha boca percorre suas pernas,sua cintura e seu pescoço
subo suas roupas, abotoou sua calça, damos as mãos.
Ponho os pés nos chão em cima das minhas roupas
Você se senta, abaixa-se e me vesti enquanto se levanta

Sua boca encontra minha barriga,brinca no meu quadril
Minhas mãos chegam a seus cabelos
Você beija o meu tórax, abotoando minha camisa,
morde o meu pescoço, elogiando meu perfume, nos beijamos.

Você ergue os braços e lhe ajudo a vestir sua blusa
Beijo e mordo desde o seu ombro, recolhendo a alça da blusa,
até o começo da orelha, passando pelas bochechas e boca
Caminhamos até a porta entre risos e abraços
Você me beija e sai para o corredor

Trocamos comprimentos de boa noite
Eu olho assustado no momento que você sorri
Fecho a porta
Ouço uma batida na porta
Desloco-me até ela vagarosamente
Penso ser só mais uma noite chata sem surpresas
Sento no sofá
Ligo a tevê
Acabo de chegar em casa.


VARCELLY




http://www.youtube.com/watch?v=EqWLpTKBFcU( O clipe da música, que é ao contrário)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Relatos de Mi

Era uma noite agradável, a brisa corria e tornava todo e qualquer ambiente mais aconchegante, eu havia me arrumado toda para ele, na verdade, seria o primeiro encontro. Tudo parecia perfeito. Eu iria o esperar numa sala pequena e climatizada bem próxima a minha casa, algo como uma recepção. Antes de sair mais uma encarada demorada no espelho para os últimos arranjos, verifiquei se todas as linhas estavam no lugar, enquanto ressoava alegria. Só então, dirigi-me ao local marcado.

O caminho não foi longo, pois durante o trajeto vim relembrando canções, sambas antigos e modinhas, todas aparentemente oriundas das vibrações do meu espírito feliz, e quando menos esperava cheguei. Tudo era confortável, organizado, até climatizado era. A brisa da noite serena ficou do lado de fora, mas confiei que o encontro a traria de volta. Confiança essa abalada pela presença de outros tantas meninas na mesma sala. Elas pareciam tão arrumadas quanto eu, algumas mais magras e alvinhas e outras assim como eu loiras. Foi horrível!

Senti-me usada. Que homem poderia ter uma atitude desse tipo? Iludir um grupo de garotas mandando-as esperá-lo num mesmo recinto e ainda permitir que se vissem. Em poucos segundos, todas estávamos revoltadas. Eu tentei apaziguar a situação dizendo que o deixaríamos na mão em plena roda de samba, ou seja, partiríamos no auge do seu melhor choro. Todas aceitaram a idéia e eu já estava tranqüila quando uma nova onda de ira me possuiu, minha irmã adentrou o recinto.

Michele era muito mais nova e bonita do que eu, assim como a maioria das garotas ali, mas era especial. Detentora de um timbre de voz maravilhoso que conquistava todos até mesmo quando conversava. Eu quase desmaio ao vê-la. As meninas me ajudaram em grupo, já que a diferença de peso entre nos era relevante, e eu me pus de pé. Michele correu em minha direção para ajudar-me também e eu lhe contei o acontecido. Ela não parecia acreditar no que ouvia e sem esforço, meu e das outras meninas, juntou-se a nós.

A porta então se abriu e ele entrou. Sapatos brancos, terno aberto de linho branco, camisa rosa suave e um chapéu levemente caído sobre o rosto. Todas ficaram tensas até que ele vestiu o sorriso. Foi como uma amnésia instantânea para tudo que tínhamos passado. Desde a humilhação até o encontro grupal, toda ira escorreu pela ponta do arco do sorriso dele. Ele chamou uma a uma de nós para fora da sala, alisou o corpo de todas, demorando as mãos em cada recanto, nos fazendo esticar e esticar a seu bel prazer, até que ficássemos presas por suas carícias. E assim, ficaram as revolucionárias deitadas lado a lado e presas pelo carinho das mãos dele. Acho que ele sabia da relação de parentesco entre eu e Michele, pois a colocou o mais longe possível de mim.

Depois de se aproveitar de cada uma de nós, ele nos levou de volta à brisa noturna e nos apresentou orgulhoso aos amigos na roda de samba. Então, recomeçaram as humilhações. Ele nos tocava ao mesmo tempo, empurrando duas ou três de nós para uma mesma casa e lá nos acariciava simultaneamente, depois nos tocava todas ao mesmo tempo, mas, o fazia com tal maestria que não nos exaltávamos mais e aproveitávamos à brincadeira. Chegou ainda a oferecer nossos serviços a diversos amigos. Não tínhamos pudor algum a essa altura. Minha mãe me avisara para tomar cuidado com malandros, eles são tão agradáveis que seus defeitos se tornam imperceptíveis. Ficávamos todas nas mãos dele e adorávamos isso. A princípio, unidas pela fascinação da presença dele, depois pelo ódio e agora pelo amor. Ele parecia saber até onde cada uma de nós ia e nos coordenava muito bem, tirando proveito de tudo e, por diversas vezes, deixando-se aparentar subjugado à nossa vontade.

Eu e minha irmã estamos bem. Inclusive, já estivemos juntas com ele várias noites e foi maravilhoso. Sabe como é não é? Vida de corda de violão é difícil.


"minha viola vai pra o fundo do baú.
Não haverá mais ilusão
Quero esquecer e ela não deixa
alguém que só me fez ingratidão"


Ps: Hauahuah Posso pedir um favor? Lê de novo para perceber o amor do rapaz por seu violão.
Ps: Nesse link estão algumas explicações para o texto. São basicamente sobre a estrutura do violão. Os trechos interessantes são as partes do violão e a afinação básica, que explica o caso das irmãs.


VARCELLY



quinta-feira, 2 de julho de 2009

Larga rede dos desejos

Grande e larga para casais
Suspensa
A rede suporta meus sonhos
Queria tua presença ampliando as curvas dessa,
teu cheiro suspendendo meu respirar,
que estivesses ao alcance dos meus olhos e dedos
pra que no tão sonhado beijo pudesses me ressuscitar

O último encontro se foi
deixando muito mais do que saudades
O lençol ainda está quente
O teu cheiro aflora dele,
assim como, de todos os recantos da casa

Ainda estou deitado da maneira que me deixou
Não cogitei banhar-me
Nunca me perdoaria se perdesse
todos os beijos escritos em meu corpo

O sol do meio dia chegou
Sinto não ter desperdiçado nenhum segundo
mantendo-me ainda deitado
Devo sentir cada momento
Não sei se haverá uma próxima vez
Adormeço

Tu chegas suave,
flutuando em minha direção
Acaricias meu rosto,
passas a mão em meus cabelos,
inundas novamente o cômodo

Levantas o lençol
Curvas a rede

Estamos juntos de novo.

" E eu que era triste
Descrente desse mundo
Ao encontar você
Eu conheci o que é felicidade
Meu amor"


VARCELLY


terça-feira, 30 de junho de 2009

Parece


Não sei já aconteceu com vocês. Alguma vez algo que gostou muito, assim sem precedentes, chegou com outro nome? É parecido com uma troca de língua, sabe língua estrangeira? , pois é. Um dia, quando você era pequeno, ensinaram-lhe o gosto inigualável de um abraço e falaram “Olha, isso é um ABRAÇO. Bom, não?” Você saiu todo feliz pensando “É realmente fantástico”.

Noutro dia fora a outro país, pessoas diferentes, e enquanto andava calmamente pelas ruas sua amiga dissera “Could you give a hug?”. “Hug?”, você pensou confuso, não sabia ao certo o que era aquilo. Até ela demonstrar como era, a reflexão se sustentara. Então, veio outra dúvida “Isso não é um abraço? Nossa lembra muito. É tudo tão próximo”. “No way! It´s a hug!” ela completara.

Não sei se a profundidade do que quis dizer ficou palpável. Mas é como ter todas as ferramentas quase certas para algo. Você tem tudo para lembrar como cuidava do seu carro, mas essa máquina a sua frente, apesar de ser igual, não é a sua máquina. No entanto, ela permite todas as lembranças da sua.

Vamos ainda mais fundo. Um ente querido morreu. Certa vez andando pela rua tranquilamente você se depara com alguém que é a cara dela. Sabe? Um clone praticamente. Você sorri e diz “Pronto, sei exatamente o que fazer. Ela gostava dessas brincadeiras, desse tipo de abraço, desse meu sorriso.” E não adianta. Você vai lá e nada disso funcionará por não ser ela. Parece, mas não é.

É isso!



VARCELLY


ps: o clipe deu uma conotação totalmente diferente e mais bela ao texto. Até encontrá-lo ainda estava em dúvida se deveria postar ou não. Espero que esse nova interpretação também apareça pra vocês. Sim,leia primeiro e só depois veja o clipe.



quinta-feira, 25 de junho de 2009

O dia do juízo final

“Amor, precisamos conversar.
Na sua casa ou na minha?
Ok. Na sua então.”

Silêncio.
A porta abre levemente.
Você vestindo a famigerada feição.
Eu pálido meio manco ou sem jeito,
difícil diagnosticar corretamente.

Hoje não temos assunto.
Incubara aquele tão esperado.
Nossas línguas travaram,
não pudemos esperar mais do que poucos minutos.
Saímos.

Andávamos em direções opostas,
circulando e nos cruzando meio mortos, meio surdos,
já duvidando que não houvesse mesmo assunto.

Na ausência de um, com certeza, já teríamos partido.
Não gastaríamos olhares constrangedores à toa.

Paramos face a face.
Próximos demais.
A raiva não agüentaria tamanha tentação.
Empunhamos nossos braços como espadas acima de nossas cabeças,
deixando-os cair vorazmente em direção ao outro

Os golpes foram frenados bem antes do trágico destino.
Você percebera algo em meu rosto.
Algo como uma fissura em plena máscara.
Eram meus olhos!

Você os olhava fixamente.
Aquele desenho arqueado e estreito
era próprio de outra situação.
Sem hesitar conferiu nos meus lábios
Ele estava lá.

Abracei-a fortemente depois de sussurrar em seu ouvido
“Brincadeira!”
Com aquela alegria própria de nosso relacionamento
Você resmungando me golpeava levemente
“Era bom que eu tivesse batido pra você nunca mais brincar desse jeito.”


VARCELLY


segunda-feira, 22 de junho de 2009

Fato


Passos.
Sim, nossos passos se confundem com a chuva lá fora.
Ainda não sei ao certo aonde vamos,
mas fato é que já chegamos.

É frio e convidativo ao mesmo tempo.
Tempo chuvoso e ainda refrigerado pelo condicionador de ar.
Tempo de nos aproximarmos, confrontando essa certeza.

Não sei ao certo por quais ruas ou atalhos me levou.
Fato é que gosto de está.
Fato é que aqui estou
mesmo sabendo ser o conforto desse local oriundo da nossa presença
ou talvez motivado justamente por isso.

Algumas pessoas insistem em tentar compartilhar nosso aconchego
mera ilusão, falta-lhe o principal,
serem iguais a nós!
Nós frouxos!
Nós bem feitos
que permitem tortuosas longas viagens com destinos terminais exatos.

Seguro nunca pela mão
Seguro por gostar desse aconchego
Aconchego transeunte
Transeunte insistente seguidor de nossos passos
Passos?!?
Passou!

TAC
TAc
Tac
tac
tac
tac
tac



VARCELLY


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Meu caso de amor

"Te adoro em tudo.Quero mais que tudo te amar sem limites viver uma grande história"

Você entrou cheirosa como de costume, já começava o jogo de subentendidos. A olhei demoradamente antes de me mover. Confesso, estava completamente estagiado com tamanha beleza, e o aroma oriundo de você me deixava ébrio desajustando meus pensamentos. Diante de tal espetáculo feminino as possibilidades eram imensas e você parecia propensa a todos meus pensamentos por mais maléficos que pudessem parecer.

E sim! Eram muitos pensamentos! Tantos que não consegui escolher um. No momento em que um aparentava está se demorando mais em minha mente, percebia que na verdade eram quatro se sobrepondo ou então que outro chegava abruptamente destruindo ou afastando o anterior.

Meus olhos ressacados, a princípio, foram ofuscados por tua presença, escondi-me atrás das mãos, o que também pode ter sido um pouco, sinal de insegurança ou de surpresa com a sua presença, uma vez que há esperava linda, mas não tanto. Tentei ao mesmo tempo em que minha vista se acomodava a você pensar firmemente em algum dos muitos planos que tinha para nós. Lembra aquela praia que fui ano passado e comentei com você? Ela com nossa presença ficaria muito mais bonita com certeza. Ver toda aquela paisagem em cima de uma pedra, admirando o saudoso Costão do Santinho. Ou então, quão romântico teria sido ver os Andes em sua companhia ali logo atrás de mim. Podíamos refazer algum desses programas juntos, não?

Sei como é sua natureza e até tento compreende-la bem. Entendo a sua impossibilidade de ser só minha. E que eu sou o culpado de está completamente apaixonado por você. Mas em último caso poderíamos marcar de nos encontrarmos lá, o que acha? Não precisa viajar comigo. Pode ir sozinha fazendo o seu percurso do jeito que quiser, visitando todos os homens e pessoas que deseja e depois me encontrar em plena Rua Florida, por exemplo. Ou quem sabe ali mesmo em cima das falésias, mirantes da Praia do Amor. Sugestivo o nome, não? Inclusive era por isso que pensei em encontrá-la na Praia do Amor nesse feriado. Queria acordar bem cedo, naquela hora que está mais bonita, mais cheirosa e tranqüila para sermos só eu e você e poder me perder nesse sentimento por aqueles 30 minutos no máximo. Ah, Alvorada você ainda me mata de ciúmes e de amor.

"E a tua história eu não sei,mas me diga só o que for bom"


VARCELLY

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Palavras, apenas palavras

Ultimamente tenho pensado bastante sobre palavras. O meu penúltimo post (O Processo Poético) mostra bem isso. Como vejo as palavras impregnadas em mim. Só que hoje discutindo sobre o texto “A verdadeira poesia” com uma amiga, veio-me um outro pensamento, eu sou palavra. E digo mais, levem isso ao extremo.

Imagine você sem nenhuma palavra. O que vê?Opa, não pode responder. É sem palavras!Lógico que toda essa argumentação é baseada no que um indivíduo vem a ser para o outro.

Em suma, para mim, nada mais somos do que um texto ambulante e sujeito a modificações a todo momento. Como se fossemos montados de lego e os encontrões com outros seres ora nos agregassem peças ora nos tirassem peças. Ou então, como se fossemos escritos com carvão e os encontros criassem novos traços e logo novas letras alterando todo o texto. Depois de pensar isso, confesso que me senti bem.

Gosto de ser um texto. Imaginar meu olhar como sendo versos que flutuam em direção a ti e dizem todo um universo de milênios, impossível de ser descrito numa vida inteira. Nossos atos são muitas vezes textos escritos impossíveis de escrever.

Gosto de ser um texto muitas vezes escrito em braile. Um mistério aos olhos a primeira vista e um banquete ao tato, algo como uma antologia poética de Drummond em mãos ou a cabeceira da cama.

Gosto de ser aquele sussurro ao pé do ouvido brincando com os teus cabelos, como a brisa faz ao passar na varanda, onde estás deitada em tua rede. Poder perceber a maneira leve de transpassar os teus cabelos, demorando-me em cada variação angular da curva do seu pescoço. Descer por dentro da blusa e vir na direção oposta pela rede para balançar a saia, rapidamente amparada por tuas mãos, controladoras do meu impulso.

Gosto de ser o conto interrompido por um infarto do escrito, responsável pela morte curiosa de milhares de leitores. Aquele texto julgado insosso pela capa e que termina por mostrar-te quem é o verdadeiro insosso.

Por fim gosto de ser o texto inacabado que continua sendo escrito por ti,quando amassamos nossos calhamaços e criamos uma nova escrita, uma nova palavra, uma.


VARCELLY

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Amor



Daqui é tudo meio diferente
Tudo é fluido e móvel
A firmeza da terra está agora distante
Ainda posso tocá-la caso assim queira
Entretanto no momento sua ausência é bem-vinda

Eu nem mesmo consigo me manter estável satisfatoriamente
Vejo um mundo de espelhos brilhando e se movendo constantemente
Neles vejo minha face,mas é como se eu fosse vazio
Não tenho problemas,nem sentimentos ruins,
nem convivo com pessoas complexas ou não.

Estou cercado de outros indivíduos,porém
Não é raro me pegar sem enxergá-los mesmo quando estão ao meu lado
Ora sento,ora me deito,algumas poucas,levado por sua força, aos tranco e barrancos
Fico em pé
Só por alguns segundos
É como se um mundo vira-se pra me preencher de novo
Numa onda de paz,de harmonia e de alegria que não me deixa
Entender se a onda é do meu sorriso ou vem de você.


ps: o real título desse texto é Surf.Lê de novo!O sentido agora é totalmente diferente.=D Mudei só pra aperriá-los.



VARCELLY